Paróquia de São Lourenço de Carnide

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História da Paróquia de São Lourenço de Carnide

    No século XIII procedeu-se à organização religiosa e administrativa, com a formação de uma vasta paróquia rural, por volta de 1279. Foi também nesta época que se fixou, definitivamente, a identificação toponímica. O nome de Carnide é, certamente, mais antigo (celta, latino, ou muçulmano), mas passou a generalizar-se apenas durante a idade média, ligado à unidade paroquial. Num documento de partilhas datado de 1308, e em muitas doações medievais, a figura a expressão «sítio de Carnide» e o topónimo «Carnedi» ou «Carnyde» aplicados à área da paróquia que englobava também a Pontinha e o Casal Falcão e se estendia até aos limites de Odivelas. O século XIV corresponde ao período de consolidação e expansão dos velhos aglomerados populacionais e à construção da Igreja de São Lourenço, a partir de 1342, em local ermo, aproximadamente no centro geográfico de um vasto território, de modo a permitir a afluência dos paroquianos. Ao mesmo tempo, os caminhos rurais e vicinais, já definidos desde a Alta Idade Média, consolidaram-se. Pode dizer-se que a localização da igreja paroquial, que depois de outras invocações acabou por se estabelecer com a Igreja de São Lourenço, se localizou em função desta primitiva estrutura viária e da facilidade de acessos directos. A estrada da Pontinha era o principal eixo, a par da estrada da Correia que se veio a consolidar posteriormente. Foi no adro da igreja que se realizou durante muitos anos a feira. Para além dos pequenos proprietários e rendeiros locais, eram donatários de muitas propriedades de Carnide os reis e a Ordem de Cister.

 

    Documentos dos séculos XIII e XIV referem a existência de uma Ermida do Espírito Santo que tinha anexa uma pequena gafaria. O culto do espírito santo, difundido durante o século XIII, perdurou na região, até ser completamente absorvido pelo novo culto da Senhora da Luz, no século XVI, depois da reorganização da Igreja no âmbito do Concílio de Trento. É, pois, remota a origem de fenómenos de romarias e peregrinações que atraíam ao local população dispersa pela paróquia e muitos forasteiros vindos de longe. Os marítimos (pescadores e navegadores) eram devotos do Espírito Santo e, em 1437, deram início à procissão anual do Sírio do Cabo à pequena ermida local.

 

    Em 1463, deu-se o início ao culto da Nossa Senhora da Luz e, no ano seguinte, começou a realizar-se a romaria no final do verão, em Setembro, no termo das colheitas agrícolas.

    A ermida ficou a pertencer ao mosteiro cisterciense de Ceiça, até que, em 1467, passou a depender directamente da paróquia de São Lourenço, com todas as suas rendas. A irmandade que se constituiu para organizar a romaria anual e cuidar da ermida angariou muitas doações de terras, rendas e géneros. Alguns reis e nobres foram membros da irmandade, contribuindo para o seu enriquecimento e prestígio.

    No século XVI, fizeram-se obras de melhoramento da ermida e da fonte. Datam da época os elementos manuelinos que se encontram ainda hoje encravados no corpo sul da Igreja Luz.

 

 

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