Igreja de Nossa Senhora da Luz

 

    Do antigo Santuário, mandado construir pela infanta Dona Maria no século XVI, resta hoje apenas a capela-mor e o transepto. O terramoto de 1755 atingiu profundamente o vasto templo e demais dependências que nunca mais voltaram a ser reconstruídos. O que restava da grandiosa fachada foi totalmente destruído em 1833 e só em 1870 foi construída a actual e consolidada a ilharga sul. Os restauros do interior, iniciados em 1890, permitiram ainda conservar a parte mais importante do templo. As obras de restauro foram orientadas pelo arquitecto Valentim José Correia.

    Da primitiva capela, construída pela população em 1463/64, já nada resta. De remodelações posteriores da ermida da luz preservam-se vestígios manuelinos no arco que emoldura a fonte de mergulho e nos azulejos hispano-árabes da escadaria de acesso.
São testemunhos arqueológicos notáveis, encravados hoje no corpo da Igreja Sul, a nível inferior ao actual pavimento e cujo acesso se faz a partir do exterior.

    A Igreja projectada por Jerónimo de Ruão em 1575 e terminada em 1596 (ano que se transladou a imagem), a custos da Infanta Dona Maria, era um vasto templo maneirista de influência italiana, com fachada monumental de dois pisos rematada por balaustrada corrida e sem torres. A entrada de três portas quadradas por grossas pilastras era sobrepujada por três janelas rectangulares altas e bem rasgadas. Contígua à ala norte da fachada, desenvolvia-se o grande edifício com três pisos, rasgados por pilastras monumentais desde a base até à cimalha. Destinava-se a abrigar a Casa da Irmandade e os serviços exteriores ligados aos romeiros devotos. O interior, onde cabiam mais de mil pessoas, era amplo e ricamente decorado com elementos clássicos renascentistas e maneiristas. O altar-mor conserva ainda os baixos relevos em jaspe com figurações alegóricas. O grande retábulo maneirista, pintado em 1590 por Francisco Venegas e Diogo Teixeira, é uma obra italianizante de grande erudição e contribuiu para introduzir e divulgar um novo tipo de composição de retábulos maneiristas em Portugal. As diversas pinturas, de temática religiosa, apresentam cenas da vida da Virgem e de Cristo e numa delas figura a donatária. A capela-mor e o túmulo da Infanta Dona Maria, em campa rasa epigrafada, foram classificados monumentos nacionais, respectivamente em 1910 e 1923.

    A partir de 1918, a Igreja, reintegrada na sua expressão actual, passou a sede da paróquia de Carnide, em substituição da de S. Lourenço. As ruínas das antigas dependências foram parcialmente demolidas, permitindo a formação de um pequeno adro.

 

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Fotográfias:

 

 

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